Nesta oitava breve reflexão te
convido a juntos meditarmos sobre um aspecto da nossa geração, que de uma forma
sutil se deixou envolver por antigos clichês e que sem notar acabou se tornando
uma geração de olhos secos.
Quando falo de olhos secos estou
me referindo justamente a falta de uma das marcas que caracterizam os
seguidores de Cristo. Se observarmos algumas histórias bíblicas e até um tempo
atrás, veremos gerações que molhavam a camisa, os bancos das igrejas e os travesseiros
em casa com lágrimas. Lágrimas por sentir o Senhor Jesus, lágrimas em aceitá-lo
de coração, lágrimas nas perseguições e tribulações da época, lágrimas pelo
reconhecimento de tão maravilhosa graça de Deus, lágrimas pelo perdão de
pecados.
As gerações passadas por muito
viram a morte de perto, sofriam perseguições, atentados e anda assim estavam a
molhar suas gerações com lágrimas de alegria e amor de Deus. Como se pode
encontrar forças e alegria ante a tamanha perseguição? Como pôde haver pessoas
que molhavam os olhos de tanto amor e doação a Deus em ambientes absolutamente
hostis? Essas são boas perguntas para nossa geração.
Chamo sem medo algum de errar
nossa geração de geração de olhos secos. Existe uma escassez de olhos molhados
justamente pela espiritualidade defeituosa e pelo distanciamento emocional de
Cristo.
Temos hoje maiores motivos para
sermos uma geração de olhos molhados haja vista não sofrermos perseguições como
antigamente, por termos uma “igreja respeitada”, pelo livre comércio da bíblia,
pela grande aceitação do evangelho em nossa cultura. E o que somos? Ou melhor,
em que nos tornamos? Nos tornamos uma geração que havendo grandes motivos para
sermos um marco de olhos molhados em nossa geração, ainda assim somos uma
geração de olhos secos, e ainda pior
nossa geração se caracteriza pelos secos exatamente porque acha que não tem
motivos para chorar hoje. Uma boa pergunta é: Não há motivos para sermos uma
geração de olhos molhados ou é a nossa geração quem não vê esses motivos?
Qual foi a última vez que você
verdadeiramente se derramou um lágrimas simplesmente por gratidão a Deus pela
sua vida? Quando foi a última vez que você viu seu irmão chorar por estar grato
a Deus pela família? Ou porque Deus mandou chuva ante a tanta sequidão?
Quero te confessar uma coisa antes
de continuar com a abordagem. Antes de escrever sobre esse assunto tive de
olhar para dentro de mim mesmo e sabe o que percebi? Percebi que eu mesmo sou,
talvez, o maior representante dessa geração de olhos secos, e isso não é autocomiseração
de minha parte, Deus sabe o quanto estou sendo sincero, mas o que me motivou a
escrever sobre esse assunto se eu mesmo estou em falta? Não sei te responder
exatamente, mas sinto inspiração para escrever, isso é o que me motivou a tal.
Mas, voltemos ao assunto.
Será que um dia de chuva é motivo
suficiente para eu chorar de gratidão? Ou um dia de sol também é? Será que
ouvir um amigo dizer que gosta de você não te dá alegria suficiente para
pensares em como Deus é maravilhoso? Será que um encontro com amigos é tão sem
graça que não passa de um encontro?
Bom, parece que as gerações
passadas viam essas coisas com olhos molhados, parece que tudo isso faria muito
mais sentido do que hoje.
Parece-me que nossa geração se
mecanizou de tal forma que molhar os olhos representa um perigo. Parece que nos
mecanizamos tanto em nossos relacionamentos com o próximo e com Deus que
qualquer vestígio de lágrima pode
enferrujar todo o corpo e se enferrujar todos vão notar. Sade de uma
coisa? Eu nunca desejei ser notado por todos por estar enferrujado como agora.
Nossa geração precisa de grandes
motivos para molhar os olhos, grandes acontecimentos, grandes shows, grandes
viagens e tantos outros grandes.
Sabe o que desejo hoje? Desejo
ser como uma criança que vê motivos em tudo para fazer festa. Sou hoje uma
pessoa de olhos secos numa geração de olhos secos, mas com o desejo der ser uma
pessoa de olhos molhados numa geração de olhos secos.
Redescobrir a graça, a beleza, os
sentimentos, as maravilhas que há nas coisas simples e deixar-se envolver por
elas é o desafio nosso de cada dia.
Termino nossa breve reflexão com
o desejo de que juntos busquemos o maravilhamento que as gerações anteriores
viviam. Desejando que juntos sejamos olhados como pessoas simples que buscam e
encontram prazer em simplicidade das coisas.
Paz de Cristo.
Autoria: Daniel Correia

