quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma pequena reflexão – parte 1


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Fazendo uma pequena análise da bíblia e com alguns livros de apoio começo a intuir algumas coisas que talvez estejam passando despercebidas por nós cristãos e leitores da bíblia. Quero explicar que não tenho a pretensão de ter ou dar a palavra final quanto aos assuntos abordados, e também não se trata de uma revelação que recebi. É apenas uma análise de algumas coisas que passo a “compreender melhor”.
Observando o cristianismo no Brasil tenho percebido que ele passou e está passando por mudanças sejam elas boas ou ruins, porém há um número crescente de banalização com o evangelho daí tendemos a pensar que isso ocorre exatamente no ”mundo”, porém estou me referindo a igreja. Como assim a igreja? Exatamente, a igreja. Observo que nós – igreja de Cristo – aos poucos estamos nos acomodando com as coisas que afetam diretamente os princípios bíblicos. Estamos valorizando a roupa, os sapatos, o carro, o status e estamos se esquecendo de valorizar quem usa as roupas, os sapatos e os carrões. Isso é o que Jesus faria?
Estamos trabalhando em função de número e mais números e até dizemos que Deus está abençoando a obra quando os números aumentam, ou seja, crescimento numérico se tornou sinônimo de bênçãos de Deus. Isso é verdade?
Vamos trabalhando em função dos números e com a crença de que ganharemos e seremos mais e mais abençoados como se fosse uma forma de troca. Trocamos nosso serviço por bênçãos de Deus, mas ponderemos. Que tipo de serviço prestamos a Deus? O que nos motiva a esse serviço? Será que estamos fazendo tudo por gratidão, haja vista já termos recebido a maior benção?
Porque será que dificilmente os necessitados em nossas igrejas não são objetos de nosso serviço? Será que isso é obrigação apenas dos governos e das ações sociais apenas?
Porque quando abraçamos a fé cristã tendemos a incluir todos, mas depois passamos um pente fino em nosso ciclo de vida e só abraçamos parte dessa fé cristã? Será que a fé cristã não é um todo? Percebo doutrinas que dizem- se bíblicas, porém seu fundamento é que uns são objeto de amor de Deus e outros objetos de seu ódio, e não há como dissociar o home desse tipo de ação. Quem assim age somos nós e porque dizemos que Deus assim o faz? Quando é que nos alegraremos de coração quando um “Mané de cabelos arrepiados” descobrir que há esperança? Quando abraçaremos um homossexual sem o preconceito religioso que o faz se sentir como a pior espécie? Quando os jovens tatuados poderão desfrutar de uma vivência em uma igreja sem serem olhados apenas por fora? Quando aprenderemos que Jesus veio e nos mostrou como agir com o diferente?
Penso que se Jesus viesse novamente eu, talvez, seria um dos que o criticariam por abraçar com a maior naturalidade uma prostituta em trajes indecentes, por demonstrar amor pelos que consideramos indignos de tal amor. Quando aprenderemos? Quando deixaremos de ler a bíblia com a ótica “religiosa” e leremos com a percepção cristã?
Lembro-me de um pastor que me disse “Daniel temos de ter cuidado para não sermos mais incluidores e mais amantes do que Deus”. Minha resposta pra ele foi, na verdade, uma pergunta: “Isso é possível?” Será que é possível sermos mais incluidores e amantes que Deus?
Esse é, talvez, nosso maior obstáculo. Romper a nós mesmos, chutar o balde de nossos preconceitos e não termos medo de amar o diferente, amar aquele que muitas vezes não anda como queríamos que andasse, amar o dono do cabelo arrepiado, o homossexual e saber que ele tem uma alma e Deus a quer, pois seu filho Jesus também morreu por todos os que são “diferentes”, os “excluídos”.
Penso que muitos ensinamentos defendidos em muitas igrejas – em formato de doutrinas- é uma tentativa de patentear Deus. Não estou fazendo apologia aos erros, mas estou dizendo que o dever de amare de todos, se quisermos abraçar a Cristo temos de abraçar por completo. Isso significa inclusive amar os que são “diferentes”. Sei o quanto isso é difícil, pois vivo essa dificuldade, mas é como falei no início, é algo que começo a intuir, não tenho a pretensão de ser melhor que ninguém, pois se assim quisesse essa seria só uma prova de que não sou.
Quando Deus deixará de ser apenas meu e também será do outro? Quando a palavra amor suplantará a expressão “estou certo”? Quando pararemos de ser assassinos espirituais e seremos fonte de vida em deus?
Esses são os meus questionamentos que divido com todos. Eu preciso mudar. Eu preciso vencer a mim mesmo para que um dia possa dizer como Paulo “não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim”, e eu passo a imaginar as dificuldades vividas por ele em seu tempo.
Quero estar disposto e oro pedindo forças a Deus para continuar levando o evangelho, a sério custe o que me custar. Se eu não estiver disposto a morrer por minhas crenças, então elas não são tão importantes assim.
Percebo que esta é uma mensagem difícil de viver, porém é esta mesma que vejo na bíblia por isso, talvez, o autor tenha dito que “o caminho é estreito”. Que meditemos nesta palavra e oremos para que vivamos todo o evangelho de nosso senhor Jesus e não apenas parte dele.

Um comentário:

  1. Muito profundo só essa primeira parte dava pra ser dividida em várias pra analisar melhor.

    Parabéns e que venham as próximas.

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