domingo, 26 de setembro de 2010

Uma pequena reflexão parte 3


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“Estou decepcionado com Deus”!!!!!!!
Alguém certa vez disse: “Estou decepcionado com Deus.”
Quando ouvimos alguém falar isso nossa mente, com num estalo, visualiza essa pessoa ou perdendo alguém que ama, ou reagindo a uma oração não respondida, mas vamos analisar agora um pouco do problema da decepção com Deus.
Sei da dificuldade de escrever sobre tal tema; uma prova disso é o quase desconhecimento de materiais que tratem sobre esse assunto, mas apesar do pouco material que trate de forma bíblica o assunto decidi enfrentar o desafio de escrever. Não tenho a pretensão de fechar o assunto, nem de dar a palavra final, pois analisaremos apenas um aspecto da decepção com Deus.
Há uma diferença abismal de ver os acontecimentos da bíblia e o que vemos acontecer hoje. Quando lemos a bíblia nos deparamos com acontecimentos extraordinários, milagres, abertura do mar vermelho, curas instantâneas, ressurreição de mortos, transformação de água em vinho, transladação, carros de fogo, dons sobrenaturais do espírito e muitas, mas muitas coisas que nos enchem os olhos e hoje em dia as pregações estão carregadas desses acontecimentos. Hoje os pregadores tocam o público nas descrições dos extraordinários acontecimentos bíblicos, choramos só de imaginar milagres e poder. Sem falar dos cantores que enchem suas músicas desses acontecimentos e de uma forma poética e rítmica nos descrevem os milagres maravilhosos de Deus, as orações respondidas imediatamente, os homens que praticamente tocavam o céu com a mão. Tudo isso nos dá ainda mais gás para sermos e estarmos firmes em Cristo, mas em contrapartida não vemos mais isso acontecer na prática. É como se estivéssemos lendo um livro de contos de fadas, onde nos alegramos, mas sabemos que tudo aquilo não passa de ficção. Ai é onde começam a surgir as fagulhas que tendem a se tornar numa fogueira de decepção com Deus.
Em nossa mente vivemos perguntando: “Porque na bíblia Deus fez isso e hoje eu passo por esse problema e Ele não faz algo a respeito?” “ Porque o pregador me encheu de fé ontem e hoje a realidade sucumbiu minha fé?”
Eu diria que nosso cristianismo nos prepara para nos decepcionarmos com Deus. Lembra das coisas que citei acima? Pois é! Nada ouvimos falar de decepção com Deus, e como nos prepararemos para o inverno se o que só ouvimos é triunfalismo e triunfalismo?
Nossas expectativas são frustradas porque não aprendemos que Deus não é uma marionete das nossas orações. Não aprendemos que quando Jesus orou dizendo “Seja feita a tua vontade” Ele estava disposto mesmo a fazer a vontade do Pai, mesmo que fosse levá-lo a morte. Não aprendemos que o problema está em nós e não em Deus. Ai fica difícil suportar uma decepção com Deus e continuar seguindo. Eis a razão de muitos saírem do evangelho frustrados e revoltados, pois quando aceitaram aprenderam que agora tudo ia ser de bom pra melhor, e quando tudo começa air de mal a pior não suportam e acabam abandonando a fé que um dia abraçaram com tanta expectativa.
Mas não estou falando apenas de orações não respondidas, estou falando de nós, sim de nós mesmos. Lembra de Saulo no caminho de Damasco? Lembra das palavras de a ele? Vou te lembrar. Deus disse? “ Saulo, Saulo porque me persegues?”, mas Saulo perseguia a Cristo? Não ele perseguia os seguidores de Cristo, logo quem persegue aos seguidores mo mestre, persegue o próprio mestre.
Lembra da pergunta dos discípulos “mas Senhor quando foi que nós te demos de comer e de beber?” e Jesus responde/; “ Quando fizeste a um desses pequeninos a mim me fizeste.” Pois bem, somos representantes legítimos de Cristo aqui na terra e isso implica responsabilidades.
Mas este é mais um agravante. Olhamos certas pessoas como pastores, líderes e até mesmo amigos íntimos e transferimos uma confiança que nos deixa vulneráveis. Quando essa pessoa frustra nossas expectativas mos decepcionamos com ela, mas também com Deus que se fez matéria nela. E até dizemos “porque Deus deixou isso acontecer?” “porque o pastor fulano fez isso comigo se ele é representante de Deus?”
Estamos acostumados a ouvir e assistir pregadores falar de vitórias e bençãos e ficamos mal acostumados como um viciado em receber bênçãos e só benção.
Quero te fazer algumas perguntas e não tenho o intuito de te entristecer, mas de te levar a refletir.
O que foi o jovem Estevão recebeu sendo fiel?
E o João Batista?
E Jesus?
E tantos outros? E os mártires do Coliseu? E na época das cruzadas? E na inquisição da igreja Católica? Pois é pouco ou quase nada se fala hoje em dia.
Eu mesmo já me decepcionei e às vezes ainda me decepciono com Deus, mas oro pra que eu aprenda a aceitar sua vontade que às vezes não é a minha e ainda assim a bíblia diz que ela é boa, perfeita e agradável.
Peço desculpas se frustrei suas expectativas caro leitor. Meu desejo é que recebas as bênçãos de Deus e aprendas a saber lidar quando elas aparentemente não vierem.
Não te assustes quando os sentimentos de decepção com Deus te arrebatar. Lembras que Jesus disse “Pai porque me abandonastes?” E ele entende como isso é de nossa natureza, pois um dia Ele próprio experimentou isso na pele.
Fica na paz de Cristo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Uma rápida reflexão sobre relacionamentos

Enquanto volta hoje, 16/09/2010 do trabalho vinha lendo no ônibus um dos muitos livros maravilhosos de Augusto Cury intitulado "O Mestre dos mestres. Jesus, o maior educador da história." Da coleção "Análise da inteligência de Cristo" do mesmo autor e me deparei com um trecho que acredito ser interessante pra todos nós. E aprendi que devemos repassar as coisas boas para quem gostamos e queremos bem, por isso repasso a vocês o trecho que me chamou a atenção. Tive que transcrever um trecho anterior pra que possam acompanhar o raciocínio.

"Coloque 10 alunos numa universidade. Durante 3 anos e meio, que foi o tempo que Cristo passou com seus discípulos, tente ensiná-los a se amarem uns aos outros. Dê palestras, promova debates e conduza esses alunos a lerem todo tipo de literatura sobre o amor.
Veja o resultado. Provavelmente, no final desse período, eles não estarão se amando, mas guerreando uns contra os outros, discutindo quem tem mais conhecimento sobre o amor, quem discorre melhor sobre ele. Serão mestres no discurso sobre o tema 'amor', mas dificilmente aprenderão a mais difícil de todas as artes, a de amar. Aprendê-la exige mais do que cultura e eloquência. ( ...) Certa vez, disse: "Ouviste o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém vos digo: Amai os vossos inimigos  e orai pelos que vos perseguem... Se amardes os que vos amam, que recompensa  tereis? " (Mateus 5:44)  Com essas palavras, Cristo  atingiu os limites mais altos e,  ao mesmo tempo, mais inpensáveis do amor, da tolerãncia e do respeito humano.
Como é possível amar os inimigos? Quem tem estrutura emocional para isso? Como é possível  amar alguém  que nos frustrou, nos decepcionou, falou injustamente contra nós? (...)
Em razão do adensamento populacional na atualidade, bem como da competitividade , do individualismo e do superficialismo nas relações  socioprofissionais, é mais fácil fazer 'inimigos' do que amigos. Não inimigos que querem nos detruir, mas que nos decepcionam, nos frustram, nos criticam injustamente, que falam mal de nós por trás, que não correspondem nossas expectativas. (...)" ( Augusto Cury, 2006, p.163-164)
Vamos pensar e não só pensar, mas refletir e nos vacinar contra esse mal que aflinge a todos nós e aos que nos cercam. Que possamos cada dia, em todos os aspectos de nossa vida seja profissional, pessoal, amorosa e etc, tentar colocar em prática o princípio do amor que podemos resumir numa outra fala de Jesus que eu, Ainoan Rocha, gosto muito que diz assim:  "Não julgueis, para que não sejais julgados. pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. (...) Tudo quanto, pois, quereis ques os outros vos façam , assim fazei-o também a eles."  (Mateus 7. versículos 1, 2 e 12).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Danças Evangélicas


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Atendendo ao pedido de nosso querido amigo e irmão Jonas, estaremos aqui falando um pouco sobre a questão da dança e suas implicações no meio evangélico atualmente.
Por dança entende - se movimentos feitos pelo corpo ou por partes dele como em coreografia ensaiada em certos ritmos.
A dança está diretamente ligada a manifestação corpórea, seja para louvor, protesto ou mesmo para a atração física, assim sendo, dançar pode ter diversos objetivos específicos, porém nos deteremos na questão da dança evangélica se assim apodemos chamar.
A dança como manifestação cultural esteve presente desde sempre nas sociedades, mas nem sempre recebeu este nome. Em diversos povos da antiguidade a dança fazia parte de seus rituais religiosos como, por exemplo, dos povos egípcio, babilônico e outros.
Em Israel havia dança em manifestação de adoração. A dança fazia parte da adoração a deus, advindo disso algumas religiões e igrejas celebrarem festas que em Israel eram celebradas como a festa de pentecostes e a festa do tabernáculo e outras mais e nestas celebrações a dança faz parte da liturgia de adoração a Deus e não há absolutamente nada demais nisso, pois não traz escândalo, nem existe a banalização da dança como forma de adoração a Deus.
Por exemplo, se uma tribo indígena se convertesse a Cristo, é bem provável e aceitável que uma das formas que eles vão ter para adorar a Deus seja a dança, pois isso faz parte da cultura deles e será uma manifestação corporal de adoração a Deus.
Não é de se assustar que hoje estejamos vendo algumas danças que, na verdade, estão mais para satisfação carnal do que para adoração a Deus. São danças que não transmitem absolutamente nada de adoração a Deus.
Consideraremos dois movimentos, ou melhor, dois grandes movimentos de “esclarecimento” e “liberalismo”, que tiveram ou agiram diretamente em praticamente tudo, e logicamente, a dança não escapou a eles. Estou falando do iluminismo e bem depois o liberalismo teológico. Ambos os movimentos trouxeram mudanças radicais e na questão da dança essas mudanças foram trágicas. Houve uma troca de valores e princípios “onde a dança poderia ser feita de toda forma e de qualquer jeito, haja vista, Deus ter criado tudo e ser louvado através de todas as coisas, inclusive de qualquer forma de dança”. Esse pensamento deu vazão a grotescas formas de danças e a terríveis interpretações de como adorar a Deus.
Como resultado disso ritmos e danças que em nossa cultura não são sinônimo de louvor e que estão ligados a depravação e promiscuidade tomaram formas ditas “evangélicas”.
Não me refiro a igrejas que mantém tradições de adorar a Deus através de danças e coreografias, que sempre houve, mas sim aqueles novos movimentos advindos dos dois grandes movimentos que citei que escandalizam e tentam transformar a Deus num grande palhaço o desrespeitando e afrontando.
As manifestações de adoração a Deus agora se traduzem de toda forma, não há se faça que não seja adoração a Ele. Se danço de forma sensual ou imoral nisso Deus é louvado, o que importa é extravasar, é se sentir bem, é estar atualizado com o mundo.
Pensamento assim são destrutivos para o evangelho puro e santo de Deus!!!!
Observem a dança sempre foi manifestação de adoração a Deus, porém desde que siga os princípios bíblicos de ordem e decência, desde que Deus seja o centro motivador e não o “eu”. Desde que não fira de forma alguma a moral do evangelho, nem a moral de qualquer pessoa. Isso é fundamental para uma adoração autêntica.
Espero ter ajudado tanto ao querido Jonas, quanto a todos os leitores. Havendo interesse podem sugerir temas.
Paz de Cristo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Uma pequena reflexão – parte 2


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A graça sem graça. Há como a graça tem sido sem graça. Dai você diz: "Mas que absurdo é esse que você está falando? Como você pode afirmar tal heresia? Dizer que a graça está sem graça é uma afronta aos céus, é uma afronta a Deus!!!"
Te peço um instante para que eu possa te explicar. O Pr. Ricardo Gondin diz o seguinte: "Mesmo reconhecendo que a graça foi exaustivamente estudada e definida pela teologia , é preciso redescubri-la nos lábios do Nazareno." "Os favores imerecidos de Deus não podem ficar circunscritos às codificações teológicas."
Sou do tipo de pessoa que concorda que poucas coisas estão fechadas pra discussão, porém a "graça" não se encaixa nesses poucos assuntos. Quando ouço a palavra graça sinto que ela vai muito mas muito longe do que a definição de "favor imerecido", esta palavra está na base da cristandade, ela é uma das maiores expressões do amor e da bondade e justiça de Deus.
Graça. palavra que me toca de tal forma que penso em parar de escrever, pois sei que não direi o suficiente para satisfazer a mim mesmo e a quem ler o que escrevo. Me sinto mui pequeno para falar de tamanha expressão.
Já desistir de tentar explicar ou ceder a tentação de escrever sobre a maravilhosa, sublime, extraordinária, bendita, infinita, sobrenatural e tantos outros adjetivos que a graça possui, e vou me deter em protestar sobre a graça sem graça.
Bom parece estranho usar o termo graça sem graça, mas você vai me entender. Ouvir pregações e as músicas evangélicas de hoje em dia é apenas parte de manifestações da graça do Pai, porém apesar de ser apenas uma parte ela está um tanto defeituosa, um tanto sem graça. Ouvimos histórias mirabolantes de milagres, de curas divinas, de dons do Espírito, de exorcismos extraordinários, de o bem triunfando sobre o mal e ai está todo o problema. A cada acontecimento acima dizemos “ai está a graça de Deus”, mas será que a graça se resume apenas acontecimentos similares ao acima citados? Será que a graça é mesquinha? Como ela pode ser revelada de forma maravilhosa na vida e não da mesma forma na morte? Será que é apenas nas bênçãos que a graça está presente? É exatamente isso que a graça tem se transformado nos corações das pessoas hoje em dia.
Porque num testemunho de uma vida que se salvo numa queda de avião damos aleluias!!! Glórias a Deus!!! Em e contrapartida nada dizemos a respeito dos que morrem com a tragédia? Será que o problema da graça sem graça não vem a tona nesta situação?
Porque queremos pregar o evangelho a pessoas de barrigas vazias achando que apenas isso lhes saciara a fome? A será que para estes a graça tem graça mesmo? Porque exaltamos a Deus quando o pregador fala línguas estranhas e profetiza quando ao mesmo tempo não glorificamos quando o mesmo pregador repreende a igreja? Será que a graça foi maior no primeiro momento?
Vou responder. A graça é graça na morte ou na vida. A graça tem o mesmo sentido na vida do que sobrevive à tragédia do avião quanto dos que morrem. Não estou dizendo que não devamos nos entristecer, mas digo que a graça é graça se eu vivo ou se morro. Com Cristo a graça foi uma durante sua vida, e quando Ele morreu, ela cresceu sobremaneira. Graça.
Graça sem graça dos famintos que ouvem o abastado falar de um Deus grande e abençoador, porém não vê que esse seguidor se quer segue o exemplo do Deus que diz seguir, isso é graça sem graça.
A religiosidade não cristã é outra demonstração da graça sem graça, ou seja, o interesse no bem estar e no ganhar a vida com o evangelho da prosperidade macula a graça do pai e a torna injusta e sem graça. Estou triste, muito triste em ver que a graça está perdendo a graça. Em nossa vida diariamente a vejo ser manipulada como quem joga uma partida de dominó, onde o mais inteligente sabe como ganhar dos adversários. A graça de Deus é absolutamente diferente do que tem sido apresentado como graça.
Hoje em dia sinto que muito em breve ela já não será conhecida como a maravilhosa expressão do amor do Pai. Não estou propondo uma revolução, mas vos peço que em seus corações preservem a graça de Deus intacta da contaminação espiritual atual. É a única coisa que peço. Deixe que a graça do pai esteja sempre em teu olhar o mundo, que possas ver também na morte, pois na morte do Mestre está a explosão da graça.
Deus esteja contigo.