domingo, 28 de novembro de 2010

UMA MULHER PEGA EM PECADO


É manhã...
Um galo faz recital matutino.
Um cachorro late, dando boas-vindas ao dia.
E um jovem carpinteiro fala no pátio.
JESUS ESTÁ SENTADO, envolvido por uma roda de ouvintes. Alguns concordam, acenando com a cabeça, e abrem o coração em obediência. Eles aceitaram o mestre como seu mestre e estão aprendendo a aceitá-lo como seu Senhor.
Não sabemos qual era o assunto daquela manhã. Oração, talvez. Ou quem sabe bondade ou ansiedade. Fosse qual fosse o assunto, ele foi logo interrompido quando algumas pessoas entraram correndo no pátio.
Determinadas, elas irromperam de uma rua estreita e correram até Jesus. Os ouvintes tiveram dificuldades para sair do caminho delas. A multidão é composta por líderes religiosos, presbíteros e diáconos da época. Homens respeitados e importantes. Lutando para manter o equilíbrio em meio àquela onda de ira está uma mulher vestida com roupas impróprias.
Havia pouco, ela estivera na cama com um homem, que não o marido. Era assim que ela ganhava a vida? Talvez sim. Talvez não. Talvez o marido já não estivesse por ali, o coração dela poderia estar partido, o toque do estranho foi terno e, antes que pudesse perceber, acontecera. Não sabemos.
Mas o que de fato sabemos é que uma porta foi aberta abruptamente e ela foi arrancada de uma cama. Ela mal teve tempo de cobrir o corpo antes de ser arrastada para a rua por dois homens da idade de seu pai. Que pensamentos passaram por sua mente enquanto tentava se levantar?...
Com postura de santidade, a multidão avança na direção do mestre. Jogam a mulher em sua direção. Ela praticamente cai. “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz?”
Atrevidos, ainda que por conta de coragem alheia, sorriem maliciosamente como se vissem o rato indo atrás do queijo.
A mulher busca as faces, ansiosa por encontrar um olhar compassivo. Não encontra nenhum. Em vez disso, vê apenas acusação. Olhares indiretos. Lábios apertados. Dentes rangendo. Olhares que condenam sem ver.
Corações frios empedernidos que condenam sem sentimento.
Olha para baixo e vê as pedras nas mãos da turba – pedras da retidão, cujo propósito é tirar-lhe a luxúria a pedradas. Os homens apertam as pedras com tanta força que as pontas de seus dedos ficam brancas. Eles apertam as pedras como se fossem a garganta daquele pregador que tano odeiam...
Fico pensando: será que ele se cansou de ver corações manchados e rejeitados?
Jesus viu um coração assim ao olhar para a mulher. Os pés dela estavam descalços e enlameados. Os braços cobriam-lhe o peito, e as mãos se apertavam logo abaixo do queixo. E seu coração, bem, seu coração estava em farrapos, rasgado tanto pela própria culpa como pela ira da turba.
Diante disso, com a ternura que somente um pai pode ter, ele resolve desatar os nós e consertar os buracos.
Começa distraindo a multidão. Ele desenha no chão. Todos olham para baixo. A mulher sente alívio assim que os olhares dos homens se afastam dela. Os acusadores são persistentes. “Diga-nos, mestre! O que o senhor quer que façamos com ela?”
Ele poderia ter perguntado por que eles não haviam trazido o homem. A lei também o incriminava. Ele poderia ter perguntado por que, de uma hora para outra, eles estavam tirando a poeira de um velho mandamento que estava na prateleira havia séculos. Mas não o fez.
Ele simplesmente ergueu a cabeça e fez um convite: “Acho que, se vocês nunca cometeram um erro, então têm o direito de apedrejar essa mulher”. Voltou o olhar para baixo e começou a desenhar na terra outra vez.
Alguém limpou a garganta, como se fosse dizer algo, mas ninguém disse nada. Pés se mexeram. Olhares baixaram. Então ouviu-se um baque seco... mais um... outro. As pedras começaram a cair no chão.
E eles começaram a ir embora. A começar pela barba mais grisalha e terminando na mais escura, todos se viraram e partiram. Vieram como um, mas saíram um aum.
Jesus pediu à mulher que olhasse para cima. “Ninguém a condenou?” Ele sorri conforme ela levanta a cabeça.
Talvez esperasse ouvir uma repreensão da arte dele. Talvez achasse que ele também se afastaria dela. Não tenho certeza, mas sei de uma coisa: ela recebeu algo que não esperava. Recebeu uma promessa e uma ordem.
A promessa: “Eu também não a condeno” (Jo 8:11).
A ordem: “Agora vá e abandone sua vida de pecado”.
MAX LUCADO

Uma pequena reflexão parte 4 - Espiritualidade



Nesta quarta parte de uma breve reflexão quero te levar para juntos refletirmos um pouco sobre um tema que já foi exaustivamente estudado por muito, mas que parece se encontrar em crise na atualidade, como sempre digo, não tenho a pretensão de ter ou dar a última palavra quanto ao assunto, e também não se trata de uma nova revelação, quero apenas que reflitas comigo alguns aspectos do assunto que tem por nome ESPIRITUALIDADE.
Chamo de espiritualidade nosso interior, aquilo que me faz buscar a Deus, aquilo que tenho dentro de mim que me faz vislumbrar nuanças de um Deus que jamais minha consciência o compreenderá por completo. Chamo espiritualidade o nosso estado de espírito diante de Deus, aquele anseio ou repulsa de Deus.
Não há forma de separar nossa vivência material com a situação espiritual haja vista em dado momento uma ser resultado da outra e visse-versa. Quando falo que nossa espiritualidade está em crise, falo que em sua maior parte é o resultado direto de uma vida cristã em crise, ou na pior das hipóteses um cristianismo em crise advindo disso uma espiritualidade em crise, mas vamos por partes.
Não há possibilidade de haver uma espiritualidade sadia se a vivência cristã não se coaduna com o evangelho sadio.
Nossa espiritualidade tem sofrido uma série de ataques, estamos entrando em crise com nós mesmos devido a contaminação espiritual que o evangelismo está sofrendo, existe uma incompatibilidade daquilo que estamos vendo acontecer e do que de fato a bíblia fala.
Aos poucos estamos afastando nossa espiritualidade de Deus, e com isso não escapamos de uma terrível crise, sem perceber acabamos nos moldando aquilo que acaba nos contaminando.
Começamos nossa caminhada bem próximos de Deus e isso é maravilhoso, porém com o tempo nos acostumamos aos modismos que pregam um evangelho de interesses e absoluto bem estar. Daí consciente ou inconscientemente transferimos esses modismos para nossa espiritualidade. Transformando a nossa espiritualidade numa espiritualidade interesseira. Passamos a buscar de forma interesseira as bênçãos materiais e “espirituais” de um Deus diferente daquele do início de nossa fé, mas de um Deus que deve se submeter aos meus caprichos e interesses.
Assim sendo com uma espiritualidade interesseira não há como evitar que, aos poucos, ela vá se transformando numa espiritualidade egocêntrica, e isso ocorre de tal forma que eu não aceito mais um Deus que não responde minhas orações, nem falar comigo da forma que eu quero, e de forma automática nos vemos procurando pecados ou maldições em nós que justifique a não resposta de Deus aos nossos apelos interesseiros, como se o simples fato de pedir já fosse o suficiente para Deus fazer o que eu quero, ou seja, nessa espiritualidade Deus é o ator coadjuvante e eu sou o ator principal, na espiritualidade egocêntrica Deus se transforma num simples fantoche, ou seja minha espiritualidade adoeceu e eu se quer percebi.
Mas a tragédia dessa espiritualidade defeituosa não acaba por ai, ao se tornar interesseira e depois egocêntrica o próximo passo é ela se tornar agressiva, quando a espiritualidade se torna agressiva é quando estou mais perto de e revoltar com Deus.
Eu passo a culpá-lo por todas as minhas expectativas frustradas e isso é a maior prova de que minha espiritualidade se afastou do ponto de equilíbrio que a sustentará firme, Deus.
Espiritualidade egocêntrica é prova de que Deus deixou de ser seu centro e as coisas tomaram seu lugar.
Espiritualidade agressiva é prova de que Deus deixou de ser seu centro e o diabo tomou seu lugar.
E agora??? Tudo está perdido??? Minha resposta é NÃO. Nada está perdido desde que voltemos à fonte sadia de nossa espiritualidade que é Deus. Que jamais nos deixemos afastar daquele de quem nossa espiritualidade depende para permanecer sadia. Somente em Deus e em mais nada nossa espiritualidade deve ser baseada para estar firme, Firme para suportar os vendavais que querem sucumbir a espiritualidade sadia.
Oro para tenhamos sensibilidade suficiente para perceber quando a contaminação espiritual começar a adoecer nossa espiritualidade. Termino nossa breve reflexão com o desejo de que nunca percamos o alvo de toda base espiritual autêntica que é Deus.
Paz de Cristo.