
Nesta sexta breve reflexão, convido-te a desta vez a meditarmos juntos sobre um assunto que também ter afetado de forma direta o evangelicismo atual, vou chamar ou intitular nossa reflexão de “O Evangelho da Auto-ajuda”.
Vivemos atualmente uma correria diária. Estamos sem tempo para descansar, brincar, dormir, educar nossos filhos, ler a palavra, ir à igreja. Dedicar tempo as coisas boas da vida está absolutamente fora de cogitação, haja vista não termos tempo pra isso. Quando nos deitamos para dormir, temos a sensação de ter apenas cochilado, pois ao nos acordarmos estamos ainda cansados e stressados, daí nossa correria começa e o tempo passa e se quer almoçamos já vamos correr de novo. Talvez você esteja se identificando com essas coisas que acabo de descrever, porém ainda não acabou.
Como resultado do nosso ativismo exagerado, da tensão de cada dia, nós estamos ficando cansados com a vida.
Corremos porque o mundo gira rápido demais e temos de nos manter atualizados e aptos às exigências do mercado; não podemos parar. Temos de correr, correr e por fim correr.
Nunca a humanidade esteve tão desenvolvida tecnologicamente, cientificamente. O mundo desenvolveu-se como nunca, porém em contra partida nunca se viu um índice tão alto de pessoas stressadas, com depressão, estafa...
Com toda essa correria, ativismo e por ai vai, desenvolvemos algo que os especialistas intitularam como o mal do século. Você sabe do que estou falando? É. Exatamente. Depressão.
Nunca se viu uma sociedade tão desenvolvida e ao mesmo tempo tão depressiva, doente. O índice de pessoas com algum grau de depressão é de assustar. Não me deterei na questão da depressão. Talvez em outra oportunidade, porém farei apenas referências dela.
Com o avanço da ansiedade, do ativismo e por fim da depressão, a indústria do entretenimento cresce bruscamente, e com isso os livros de auto-ajuda alcançam índices cada vez maior de triagem e vendas.
Lembro-me de uma pesquisa realizada num programa de televisão sobre o gênero dos livros que as pessoas mais compravam e apreciavam, e os livros de auto-ajuda ficaram em primeiro lugar disparado.
Particularmente percebo isso como algo bom, até aprecio muitos livros de auto-ajuda, claro que com algumas ressalvas, porém percebo que o nosso evangelho acabou-se deixando guiar pelo movimento crescente da auto-ajuda. Vejo programações que são simplesmente técnicas de auto-ajuda, percebo que estamos vivenciando um tal “evangelho da auto-ajuda”. Um evangelho que oferece bem estar instantâneo, evangelho que te tira da pobreza e te dá carro novo, apartamento beira-mar, te faz ter um emprego dos melhores, te faz sair da depressão e tantas vantagens rápidas. Não que isso seja errado ou que o evangelho não nos proporcione estas bênçãos, porém o que estou vendo é que a ênfase nessas coisas se tornou o ponto central desse evangelho.
A ênfase no bem estar e apenas isso basta, não há ênfase na eternidade, não há busca pela cruz de Cristo, não há sacrifício pelo próximo, não existe mais ênfase na volta de Cristo, no arrebatamento, na fé salvadora, no campo missionário, no Cristo que levou o pecado da humanidade na cruz, não se busca mais a simplicidade do evangelho. Isso é o que chamo de evangelho de auto-ajuda. O centro desse evangelho é o homem e este em busca de seu bem estar.
Lembro-me de que quando aceite o evangelho as pessoas não deram muito crédito, achando que eu em poucos dias sairia. O meu tio até me falou pessoalmente que não dava dois ou três meses para eu abandonar a igreja.
Confesso que isso na época me incomodou bastante, porém com o tempo pude perceber que não era em vão que eles tinham essa expectativa, pude notar que isso é baseado no que vemos diariamente acontecer.
Pessoas entram na igreja em busca de algo e quando esse algo é alcançado elas simplesmente saem, vão embora, alguns vão em busca de um emprego, outros em busca de conseguir uma cura, outros em busca de um(a) companheiro(a) , outros em busca de vencer a depressão. E quando alcançam o que vieram buscar dão adeus ao evangelho.
Em outras palavras o evangelho da auto-ajuda nunca esteve tão em evidência, como hoje em dia, haja vista o grande mercado da auto-ajuda, funciona mais ou menos assim: “já que as pessoas precisam tanto dessas coisas da auto-ajuda então criamos o evangelho da auto-ajuda. Não precisa de renúncia, não precisa de prova, não precisa nada, apenas venha e receba o quê você precisa.”.
Encerro nossa breve reflexão com o desejo de que tenhamos cuidado, muito cuidado com esse evangelho da auto-ajuda, que tenhamos cuidado, pois a tendência é achar normal é acharmos que o evangelho é isso mesmo.
A proposta, ou melhor, o propósito de Deus é salvar o homem do inferno, é transformá-lo numa nova criatura de dentro para fora, esse é o centro do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Evangelho da auto-ajuda, longe de nós, que recuperemos a essência do evangelho puro e simples.
Que a paz de Cristo esteja contigo.
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